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WHERE IS MY MIND

WHERE IS MY MIND

Temos de falar sem pudor - Violência psicológica

23.08.18 | w-m-mind

O post de hoje é talvez das coisas que me mais marcou, era quase o meu segredo dos deuses - a relação que me destruiu mais como pessoa, mas que me fez ser uma pessoa muito mais forte e mais determinada.

 

Sobre maior parte destas situações apenas as minhas confidentes e a minha família é que souberam depois de todo o terror acabar e posteriormente o Ricardo (o meu marido).

 

Mas existem coisas que temos de falar sem pudor porque existem pessoas que tem de saber lidar com isto e ser mais fortes do que aquilo de pensam que é o amor.

 

Pode ser um post que se encaixe em muita gente, e que pode até “abrir os olhos” a outras tantas.

 

Violência no namoro (quem diz namoro também pode falar em casamento) não é só agressões físicas, sim porque maior parte das vezes o que é valorizado é apenas essa vertente, esquecendo-se um pouco (ou até muito mesmo) que a pressão psicológica também é uma forma de violência e destrói tanto quanto a violência física.

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 TINHA 17 ANOS , PRESTES A FAZER 18 ANOS. 

 

Quando entrei na universidade a única coisa que o meu namorado da altura me disse foi “é bom que não te interesses por nenhum rapaz por lá”, na altura pensei será que ele não me vai dar os parabéns, estou a concretizar um sonho e ele tem isto para me dizer – mas não valorizei, pensei que o problema dele era ter medo de me perder.

 

Depois disso veio o facto de não querer que eu vestisse roupa decotada na universidade – mais uma vez cedi a isso sem me interrogar.

 

Depois passou à parte da maquilhagem, não queria que eu me maquilhasse porque era para chamar à atenção – e eu voltei a ceder.

 

 

Mesmo com todas as minhas cedências as discussões eram constantes.

 

Eu falar com os meus amigos, era quase impossível e tinha de ser às escondidas, e falar com as minhas amigas elas eram todas isto e aquilo – então voltei a ceder, comecei-me a desligar das pessoas e quando dei por ela comecei-me a desligar do mundo e apenas conversava com as minhas colegas de faculdade e uma ou outra amiga, mas muito raro (e sem ele saber basicamente).

 

 

Fazia uma pressão enorme sobre mim dizendo diversas vezes que pelo facto de eu falar com os amigos dele (na presença dele!) eu já andava com eles – mas eu em vez de parar de aturar aquilo não, voltava a ceder e deixava que ele me rebaixasse e me fizesse sentir completamente mal comigo mesma.

 

 

Uma das poucas vezes que fui tomar café com a minha melhor amiga decidi levar uns sapatos altos, quando ele chegou ao café e me viu com aqueles sapatos foi discussão certa "por alma de quem é que eu tinha de ir de saltos altos tomar café com uma amiga" – então eu voltei a ceder e deixei de usar saltos altos, apenas usava quando estava com ele (sozinha com ele – se fossemos ter com os amigos dele era melhor não, se não podia ser motivo de discussão e já andava cansada).

 

 

As coisas foram evoluindo, evoluindo, e totalmente por culpa minha, por ceder a tudo o que supostamente lhe desagradava e eu não queria de maneira alguma “arranjar problemas”, eu passei a ser uma pessoa completamente diferente. Deixei de fazer tudo o que mais gostava, de estar com as minhas amigas, de me arranjar, de me maquilhar, de andar de sapatos altos, de ser feliz com as pequenas coisas que a vida me proporcionava e eu nem dava por ela. Até porque o mais importante era ele não discutir.

 

 

Tentei terminar a relação duas vezes, a primeira vez ele voltou a pedir desculpa por tudo, prometeu que as coisas iam mudar, e eu mais uma vez decidi ceder – erradamente!

 

Voltou tudo ao habitual – e que já era normal para mim. Até ao dia em descobri que afinal ele fazia-me sentir mal, por tudo e por nada, e eu cedi-a e no final das contas ele traiu-me e pensou que mais uma vez eu ia ceder. Caiu-me tudo quando descobri, a minha cabeça andou às voltas durante uns dias sem saber o que fazer, se voltava a ceder e vivia sempre na constante infelicidade, ou era o ponto final de tudo e voltava a ser feliz.

FOI O PONTO FINAL – BATI A PORTA - ESTAVA PRESTES A FAZER 19 ANOS - TINHA PERDIDO UM ANO DA MINHA VIDA BASICAMENTE.

 

A traição doeu-me, mas no final da história doeu-me muito mais viver aquele tempo todo de relação não sendo eu. Depois de tudo aquilo precisei de tempo, muito tempo para mim, passei a voltar a ser eu, maquilhava-me todos os dias, usava decotes, calções e saias quando queria e bem me apetecia, passei a usar saltos altos e a estar com os meus amigos e amigas quando queria e bem me apetecia. Era uma MULHER determinada e quem mandava na minha vida era simplesmente eu.         

 

NÃO PERMITAM QUE ESTE TIPO DE COISAS ACONTEÇAM NA VOSSA VIDA, TENHAM MUITO MAIS AMOR-PRÓPRIO DO QUE POR OUTRA PESSOA. NA VERDADE SE NÃO GOSTARMOS DE NÓS QUEM GOSTARÁ.  DIGAM NÃO A QUEM QUER CONTROLAR A VOSSA VIDA. DIGAM NÃO À VIOLÊNCIA, À VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA. NÃO DEIXEM QUE ALGUÉM VOS CONDICIONE A VOSSA FELICIDADE.

 

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HOJE TENHO 25 E SOU UMA PESSOA TÃO BEM RESOLVIDA, TÃO AMADA E SINTO-ME TÃO SEGURA DE MIM MESMA (QUE AS VEZES NEM SEI ONDE CABE O AMOR E DEDICAÇÃO QUE O MEU MARIDO ME TRANSMITE DIARIAMENTE - SOU UMA SORTUDA).

 

Não podia terminar este post sem agradecer à minha família por ter sido incansável quando tudo acabou e descobriram tudo, as minhas companheiras de “guerra”, e ao meu marido Ricardo Daniel, que me fez acreditar no verdadeiro sentido da palavra amo-te e .

 

Um beijinho e até ao próximo post 

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